lunes, 25 de marzo de 2013

ESQUISSO DE VIAGEM (MARIA PORTO).




ESQUISSO DE VIAGEM

Tenho vindo ao pôr-do-sol
Nas tardes que não te vejo
Ter com as tuas palavras
Por vezes um tanto aladas
Que me ouvem ao recolher
Oferecendo-te os momentos
No recôndito de mim
Em confidência de ares cálidos
Em cumes feitos carmim…
E são os seixos que sinto
Na planta irregular dos pés
Que avisam, já é hora!
Não tarda aí o tom sépia
Aquele escuro mentiroso
Que nos leva a luz do dia
Tomando mão ao medroso…
E no regresso ao ninho
Alcanço uma viagem
Aquela que tu traçaste
Com lápis sem grandes regras
Debruada nos esquissos
Da tua mesa de trabalho
Em momentos de eleição
Onde devolveste a liberdade
Ao astro emparedado…
Se quiseres dizer-me a data
Vou preparando a paisagem
Semeando alguns amores
Perfeitos se eu souber
E renovando a aragem
Com perfume das flores…
Nas jarras não valem nada
Modificam sem pudores…
E nos campos que semear
Ficarei mesmo no meio
Lá plantarei um olmeiro
Que tu possas visionar
Para não teres de percorrer
Um tão longo caminho
É que já passou agosto
É já maduro o outono
De frutos-folhas-rascunho
Clonadas de pergaminho
Com rastos de alegria
De saudade
E sinfonia
Onde a vida é movimento
E urgente a ventania…
(Fermoso poema de MARIA PORTO, o debuxo é de Francisco Lopes, e as fotos coma sempre son miñas).
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